Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

amor

Quando somos pequeninas as mães dizem-nos que é fácil ser feliz... basta amar um homem... dar-lhe amor... carinho... ternura... ele sempre nos vai amar de volta...

 

Elas só se esqueceram de dizer que as mães deles não lhes dizem o mesmo...

 

Em Barcelona... tiraram-me o sorriso...

 

Quando eu o conheci... tudo o que eu queria era o meu espaço... o meu tempo...

 

Ele pediu-me que o amasse... e mesmo sem ele me pedir eu amei-o...

 

Amei-o com a cabeça no meu peito... amei-o no primeiro beijo às escuras debaixo dos lençóis... amei-o...

 

Levei-o para minha casa... amei-o... sentei-o na minha mesa com os meus amigos... amei-o... dei-lhe banho... amei-o... vesti-lhe o meu pijama... amei-o... aconcheguei-o na minha cama nas noites frias do Inverno... amei-o... dei-lhe o melhor que tinha para lhe dar... o meu amor...

 

Quando tinha quinze anos queria tirar psicologia e ir trabalhar para um mcdonalds em Londres...

Aos vinte quando o conheci, pensei pela primeira vez em ter um bebé, um bebé com a cara dele... Pensei pela primeira vez que casar poderia ser uma coisa boa... Antes de o conhecer essas coisas não faziam parte dos meus planos de vida...

 

Quando os outros lhe viraram as costas e o magoaram eu dei-lhe a mão... mostrei-lhe que podíamos ter um mundo só nosso... uma praia só nossa onde ele podia surfar e eu dormir ou ler... amei-o...

 

Ele disse-me que queria crescer... que queria amar... que eu lhe dava coisas que a vida nunca lhe tinha dado... Eu também queria crescer… ao lado dele…

 

Eu queria amá-lo... eu amei-o... dei-lhe o melhor de mim...

Cozinhei para ele... fiz-lhe a cama, quando a minha própria cama nunca fiz na vida... ensinei-lhe coisas boas que eu sabia...

 

Dei-lhe os abraços mais fortes do mundo e sentia no coração que era ele quem eu amava e quem eu queria abraçar para sempre...

 

Aprendi a gostar de todos os seus defeitos... aprendi a amá-los... aprendi a gostar de todas as coisas como se fossem naturais...

 

Eu sei que o magoei quando vim para aqui...

Mas ele fez-me perguntar pela primeira vez na vida até que ponto conhecemos uma pessoa….

 

Eu aprendi a ser forte…a lutar… foi o que me ensinaram…

Só lhe pedi que lutasse por mim… como eu fazia tantas vezes…

 

A mágoa foi mais forte… a dor que me deixou foi mais forte….

 

Uma vez alguém perguntou se na escola chamariam os rapazes a parte e se lhes ensinavam a magoar as mulheres… Será que fazem isso e nós nunca reparamos?

 

Eu errei… e agi mal…

Quando ele agiu mal eu fui impulsiva… mas perdoei-lhe sempre… e amei-o outra vez e fui atrás dele… e levei-o para a minha casa…. Para o meu calor…

 

Quando eu agi mal ele deixou-me no silêncio, no escuro da vida… sozinha…

 

Ele pediu-me para o ajudar a crescer… mas não me deixou crescer a mim… de lhe mostrar a minha maturidade, ele exigiu-a sempre e não me permitiu a mim também as oscilações humanas… pediu-me perfeita, quando ele não o era…

 

A vida ensina-nos tudo… e esta é só mais uma lição…

 

Eu só pedi amor…

Nunca fui materialista no sentido exploratório… quando quero coisas mais longe do meu alcance, trabalho… Nunca precisei que nenhum rapaz me desse nada… Nunca pedi nada a nenhum rapaz…

 

Minto… pedi amor… será pedir muito?

 

A vida ensinou-me mais esta lição… e desta vez não vou poder perdoar… porque os actos em si perdoam-se muito facilmente… o que é mais difícil são as consequências…

 

Quando só se pede apoio, ajuda e amor… é difícil entender porque não o temos…

 

Em Barcelona lutei por ele, todos os dias… até ao dia que o coração dele desistiu de mim… Até que ele deixou as circunstancias banais destruírem o que havia… A minha inquietude fê-lo ficar quieto, imóvel… e assim me perdeu…

 

O tempo vai-me ensinar a crescer… mais uma vez…

 

Não vejo fim à mágoa… não vejo fim ao amor… mas o tempo vai ajudar-me…

 

Vais ser para sempre o meu João Nuno, o Juaozinho do meu telemóvel… O meu João, como eu dizia aos meus amigos…

 

Vais ser para sempre o amor… O amor que me deixou escapar por entre os dedos…

sinto-me: Destruida...
música: Sheryl Crow & Sting - Always On Your Side
publicado por Joana Ramalhinho às 02:32
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12 comentários:
De João a 21 de Agosto de 2007 às 16:59
Da lhe forte e com a alma

Tb ja tive que sair, que ir partir... e tb , tb me chamo João...

E o que não me destruiu... fortaleceu-me

Cumps


De filipa a 21 de Agosto de 2007 às 17:55
miuda nao t deixes dominar pelas saudades... pk isso faz parte d ti mas eh passado! Ja dizia o outro.. tudo k nao nos mata, torna.nos mais fortes... e mais?!?! tudo passa!! tudo muda!! faz tudo parte da vida... vida esta k nos dá umas coisas e logo d seguida tira.nos outras... Força!


De Romy a 21 de Agosto de 2007 às 18:09
gostei muito de ler ... pareces me ser uma optima pessoa.

beijinhos

senti a tua dor, ja passei por isso tambem.


De Paulo Jesus a 21 de Agosto de 2007 às 18:29
Olá Joana,
Li o teu artigo intitulado "amor" com muita atenção, e estremeci, estremeci com a emotividade que colocaste em cada palavra, em cada momento, parecia que estava a visualizar os vossos gestos, carinhos, tristezas e alegrias.
Senti a tua alegria de amar, e forma mais bonita de o explicar como ninguém explicar aqui. Senti igualmente a tua angustia e principalmente a tua saudade quando o perdeste.
Não me esquecerei tão cedo deste blog, e particularmente deste texto.
Também tenho um blog, vários assuntos, se quiseres dar uma vista de olhos, é só ires a:
http://quebrartabus.blogspot.com
Sabes, eu também amei, e também fui despedaçado, despedaçado pela vertigem da vida humana, pela inconstância dos sentimentos, pelo medo e por tudo mais que existe....


De paraquedista a 21 de Agosto de 2007 às 21:58
Estou a bater palmas ao texto da Joana. E desejo as maiores felicidades para quem escreva assim. Tudo bom para ti.


De Bárbara a 21 de Agosto de 2007 às 23:43
Há coisas k nos atravessam de uma maneira indescritível... Deixam-nos a boca seca, o coração bate alucinado... parecendo k vai deixar de bater... e dói. Entregamo-nos, damos td, fazemos td... e perdemos. Até k 1 dia vês e aceitas. Não é conformismo, é necessidade de ser feliz.
Força.


De Paulo a 21 de Agosto de 2007 às 23:56
Adorei a forma como te exprimes.
Vai em frente não te deixes enfraquecer.
Luta pelo amor é muito bom quando o encontra-mos,
desde que tenhamos a certeza que o temos.


De Yaleo a 21 de Agosto de 2007 às 23:58
Li com atenção e senti-me dentro desse texto, tanta emotividade, sentimento, realismo e sofrimento.
Não fiques assim parada, segue em frente, a vida é curta demais para se sofrer tanto.


De Anónimo a 22 de Agosto de 2007 às 09:42
minha querida, dói muito mas passa. sei que não parece, mas passa mesmo. também tive um joão que amei até à inconsciência, que também me desiludiu muito. e por isso, apesar de ainda o amar, decidi continuar a minha vida sem ele. é recente, tenho saudades todos os dias. mas a razão diz-me que haverá alguém que me merece mais. como alguém merecedor do teu amor está também certamente à tua espera. sem pressas, a vida retribui-nos um dia tudo o que demos de coração aberto. confia nisso e serás feliz. alguém disse "pedras no caminho? guardo-as todas! um dia hei-de construir um castelo."


De A tua kalí* a 23 de Agosto de 2007 às 01:00
Meu amor...sim a ti chamo-te "amor" com toda a certeza e acho q me podes chamar de "amor" tb com toda a certeza... Somos confidentes e já passámos por tanta coisa. Aprendi uma coisa ctg a qual nunca me esqueço: "Amor é foda!!"
Dói tanto perder um amor, parece q um pedaço de nós se vai e um nó apodera-se da nossa garganta, do nosso estômago, mas acima de tudo do nosso coração...e dói pa caraças! Mas sabes o q tb aprendi nas minhas perdas? Que nem tudo está perdido..ganhas um pouco mais de força interior, cresces, vês o mundo com outros olhos, enfim!
Há q lutar, pelo amor, pela amizade, pela família...mas principalmente por nós próprios.
O teu texto tá lindo, cada palavra é de uma transparência tal!..e eu percebo tão bem a tua dor, dor de injustiça.. Mas tudo passa! E temo-nos uma à outra e a tds os nossos amigos. E assim tudo se torna mais fácil ;)

Um beijão enorme de quem te ama*


De A equipa das toalhinhas felpudas a 20 de Fevereiro de 2010 às 22:44
Estamos neste momento 30 pessoas em Barcelona a sentir o teu post... a meio.
Alguns de nós conhecemos o Joãozinho do teu telemóvel... a meio.
A forma como te espremes deixa-nos... a meio.
Eu compreendo que lhe dês banho a meio...
Estan dient que ets "una tonta perduda".

Adeus... amei-o


De Joana Ramalhinho a 21 de Fevereiro de 2010 às 23:19
Estão a dizer isso? Ora... e porque será?...

Escrevam-me para o joanar@net.sapo.pt

Tenho saudades vossas.

Beijos


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